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Nome: Tiago Antão
Idade: 22
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    Tal como à lebre segue o caçador, Por montes e vales, ao frio e ao calor E mal a vê presa mais não lhe liga, Só o passo estuga desde que a persiga Ariosto, 'Orlando Furioso'

    05 fevereiro, 2004

    Há consensos e consensos.

    Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a necessidade de governo e oposição chegarem a consenso quanto às políticas a seguir em termos de disciplina orçamental. De repente parece que fomos todos invadidos pelo espírito do consenso. Se concordo que é necessário que em torno de certas matérias haja acordos, e por isso a própria lei prevê que essas matérias para serem alteradas precisem mais do que uma maioria simples, já noutros casos não percebo o drama de não haver entendimentos.

    Pois expliquem-me se o Partido Socialista não se identifica com esta política do Governo para equilibrar as contas públicas, porque têm de fazer o esforço para conseguirem um acordo? E por outro lado, se o Governo acusa tantas vezes o PS de ter deixado o país num estado lastimoso, porque razão há-de agora querer caminhar para uma política que já tantas vezes considerou nefasta para os interesses de Portugal?

    Sejamos claros, este Governo tem uma maioria que o apoia, a maioria representa a maioria do povo Português que votou elegendo assim os seus representantes, logo, não percebo qual é o imperativo de chegarmos a um consenso que me parece pouco viável. E mesmo quando se usa o argumento de que é bom que os dois "partidos de poder" tenham uma política financeira comum, para que não haja uma mudança de estratégia sempre que muda o governo, lembro-me logo do que aconteceu com o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que foi aceite pelo Governo do Engº António Guterres, mas que assim que tivemos o problema do défice para resolver o PS sugeriu que violássemos este acordo. Assim parece-me despropositado entrarmos num acordo que não agrada a ninguém que servirá apenas para ganhar mais uma meia dúzia de votos, pois veríamos imediatamente todos a quererem tirar dividendos deste acordo. E isto já para não falar na dificuldade que me parece óbvia de ver três partidos chegarem a acordo numa questão tão delicada como esta.

    Por tudo isto, só me resta esperar que o governo governe, aplique as políticas que apresentou ao seu eleitorado, e claro está, se estas estiverem erradas conformar-se com a decisão do povo Português, mas com a sua efectiva decisão, e não a hipotética decisão das sondagens. Já não há tempo para navegarmos ao sabor de populismos.