Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lhe lembre,
Que a noite tem fim.
Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.
Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.
Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci...
Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.
Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.
O Registo da Memória do Mundo da UNESCO - programa de reconhecimento internacional criado em 1997 para arquivo de colecções documentais com relevo histórico - incluiu este ano mais 29 inscrições de 24 países (ascendendo assim a 120 o número total de registos), entre os quais Portugal está representado com a carta de Pêro Vaz de Caminha sobre o achamento do Brasil (século XVI).
A França registou este ano três testemunhos (entre eles estão os filmes Lumière); a Suécia e a Áustria inscreveram dois; e Alemanha, Hungria, Ucrânia, Sérvia e Montenegro, Noruega, Reino Unido e Itália são os outros países da Europa cujas colecções de arquivos e bibliotecas foram registadas como legado documental para o Mundo. A lista deste ano inclui ainda os manuscritos da Idade Média sobre Medicina e Farmácia do Azerbaijão; os testemunhos documentais, denominados Arquivos Negros e Escravos, sobre o esclavagismo na Colômbia, e o alfabeto fenício no Líbano. Para além dos registos, o Comité Consultivo atribuiu o primeiro prémio UNESCO/ Jikji Memória do Mundo à Biblioteca Nacional da República Checa, no valor de 24 mil euros.
Se a vida fosse sempre igual se calhar perdia todo o encanto, mas mudando tanto também dá-nos uma instabilidade que por vezes se torna difícil de gerir. Ainda me lembro como se fosse ontem, de estar a brincar com as minhas bonecas horas a fio e ver “Les Aventures de Tintin”, não pensando muito no futuro, e acreditando que também eu um dia teria a vida que dava às minhas bonecas.
Hoje olho para traz e tudo parece ter-se transformado, aquela inocência de quem só se preocupava com os trabalhos da escola não passa hoje de uma recordação em que mergulho quando o coração não aguenta a realidade dura em que vivo.
Quando tudo à minha volta mudou, as razões para esta amargura são ainda maiores, hoje já nem o facto de ter a boneca de trapos da infância que sobreviveu as remodelações da minha mãe é suficiente para sorrir. Parece que todos os heróis de infância se transformaram em vilões. Parece que hoje há muito mais gente a querer o meu mal do que naqueles anos.
Destinguir o bom da história do mau não é tão fácil como nas histórias que o meu pai me contava antes de adormecer, embora os meus amigos me digam todos que sou a bela... Bem eles só querem ajudar, é verdade, mas que sou a bela já entendi, mas o que precisava que me dissessem é quem é o monstro. E dos que me rodeiam, quem é o meu príncipe, é o que vem no cavalo? Ou será que a ficção se esqueceu que nem sempre quem sabe montar é o melhor para as princesas?
Só queria encontrar um final feliz para esta história...
Mafalda
Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente
Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas
Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo
A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no braseiro
Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança o Alentejo
Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo
Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro
Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo