Céu pouco nublado, tornando-se gradualmente muito nublado. Vento de sul em geral fraco (10 a 20 km/h), tornando-se moderado (20 a 35 km/h) no litoral e forte (35 a 45 km/h) nas terras altas.
Períodos de chuva a partir da tarde, progredindo do litoral para o interior. Queda de neve acima dos 1400 metros e condições favoráveis à ocorrência de trovoadas para o final do dia. Neblina ou nevoeiro matinal.
ESTADO DO MAR
Costa Ocidental: Ondas de oeste com 1,5 metros, aumentando para 2,5 a 3 metros.
Temperatura da água do mar: 13/15ºC Costa Sul: Ondas de sudoeste com 1 a 1,5 metros.
Temperatura da água do mar: 16ºC
TEMPERATURAS MÁXIMAS PREVISTAS:
PORTO - 14ºC
LISBOA - 14ºC
FARO - 15ºC
As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.
Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.
Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'
Todas as pessoas devem ter experimentado a sensação desagradável que se tem nas estações de caminho de ferro. Vamos despedir-nos de alguém. A pessoa já entrou no comboio, mas ele demora a partir. Ali ficam as duas pessoas, uma na plataforma e a outra à janela, esforçando-se por conversar, mas de repente não têm nada para dizer.
Isto, evidentemente, resulta de não podermos sentir o que queremos. A situação impõe-nos um determinado sentimento. E quem não experimentou aquele tremendo alívio quando o comboio finalmente parte?
Ou nos funerais. Quando alguém morre ou adoece, quando surgem as desilusões, espera-se sempre que sintamos determinadas coisas.
Em todas as situações, excepto as mais quotidianas, as mais neutras, há uma pressão que se exerce sobre nós, que nos dita a forma como devemos conduzir-nos, aquilo que devemos sentir, E se examinarmos bem o fenómeno, verificamos, não raras vezes, que esses papéis nos são atribuídos por romances, filmes ou peças de teatro que vimos há muito tempo.
Quando somos realmente confrontados com situações invulgares (por exemplo, rivalidades que prevíamos e não se verificam, e em vez disso se transformam num amor que nos deixa sós), a primeira coisa a que nos agarramos são esses padrões sentimentais livrescos.
Não nos ajudam muito. Deixam-nos mais sós do que antes - e caímos, desamparados, na realidade.
Lars Gustafsson, in 'A Morte de um Apicultor'
A fraqueza fundamental do homem não é nada que ele não possa vencer, desde que não possa aproveitar com a vitória. A juventude vence tudo, a impostura, a astúcia mais dissimulada, mas não há ninguém que possa deter no voo a vitória, torná-la viva, porque então a juventude deixou de existir. A velhice não ousa tocar na vitória e a nova juventude atormentada pelo novo ataque que se desencadeia imediatamente, deseja a sua própria vitória. É assim que o Diabo sem cessar vencido, nunca é aniquilado.
Franz Kafka, in 'Meditações'
Vi ontem na televisão, aquilo que julgo serem imagens reais, do Eng. Sócrates numa escola portuguesa a propósito da cobertura de todas as escolas nacionais com Internet de banda larga.
Mais uma vez parece-me existir um grande equívoco, não consigo compreender, qual a mais valia da banda larga, em relação a outro acesso à Internet para um estudante do ensino básico. Para mim o dinheiro que foi investido poderia destinar-se a outros projectos, certamente mais relevantes, como por exemplo a construção de um enciclopédia on-line, dirigida a este tipo de estudantes com uma linguagem acessível e esclarecedora, ou à criação de um portal onde os estudantes poderiam esclarecimentos em relação a dúvidas que poderiam surgir sobre as matérias leccionadas.
Acreditar que a banda larga por si só será capaz de fazer progredir o nível de conhecimentos dos nossos alunos é completamente utópico. O mais importante da tecnologia não é ter grandes equipamentos, é saber o que é que se faz com eles.
António Lobo Xavier desafiou Ribeiro e Castro a colocar ordem no Grupo Parlamentar do CDS/PP, o que pode ser interpretado como uma abertura do caminho a Paulo Portas. Ribeiro e Castro tem uma conjuntura difícil pela frente e a circunstância de não ser deputado também não o ajuda. Uma entrada em conflito directo e aberto com a bancada do seu partido ainda pode fragilizar mais a sua posição.
António Lobo Xavier desafiou Ribeiro e Castro a colocar ordem no Grupo Parlamentar do CDS/PP. Esta quarta-feira, no programa da SIC-Notícias, "Quadratura do Círculo", Lobo Xavier considerou que as declarações de vários deputados do CDS/PP, designadamente António Pires de Lima e Mota Soares sobre as eleições presidenciais e a vitória de Cavaco Silva são contrárias ao discurso e orientação do presidente do partido, Ribeiro e Castro, e dos órgãos do partido. Esta segunda-feira, Pires de Lima considerou que com a eleição de Cavaco, e Sócrates como primeiro-ministro, surge oportunidade para o CDS "ter um espaço muito interessante para fazer um discurso afirmativo e mobilizador" à direita. Pires de Lima ainda referiu que o PP tem de ser autónomo, sem cair na tutela presidencial, rematando que "se a liderança for competente, há um espaço em aberto", numa provocação clara a Ribeiro e Castro. Por sua vez Mota Soares considerou que sem o apoio do PP, Cavaco não teria ganho, uma declaração idêntica à proferida por Narana Coissoró na noite das eleições. Ambos os deputados também consideraram que Cavaco não deve esquecer algumas batalhas caras ao PP, como a revisão constitucional e as leis laborais, traduzindo as contrapartidas que deverão ser exigidas ao novo inquilino eleito. Recorde-se que tanto Pires de Lima como Mota Soares são muito próximo de Paulo Portas, tendo desempenhado cargos directivos destacados no consulado do ex-ministro da Defesa. As declarações dos dois deputados são, de facto, contraditórias com as declarações do líder do partido, que não exigiu nada a Cavaco nem estabeleceu metas ou novas linhas estratégicas para o futuro. Foi, neste quadro, que Lobo Xavier fez as suas criticas, chegando a dizer que com ele isso não aconteceria. No tempo da direcção de Paulo Portas, Lobo Xavier foi um importante aliado do ex-ministro da Defesa. Nos últimos tempos, por causa da candidatura de Cavaco, os dois homens divergiram, pelo menos no entusiasmo ao professor. Paulo Portas fez uma timída declaração de apoio a Cavaco, enquanto Lobo Xavier foi muito mais aberto. Há quem diga que Lobo Xavier está vaticinado para liderar um dia o CDS. Mas também há quem afirme que Lobo Xavier e Paulo Portas continuam com grandes pontos de convergência e que o primeiro nunca irá contra a posição do segundo. O facto de Lobo Xavier desafiar hoje Ribeiro e Castro a colocar ordem no partido pode ser mesmo interpretado como uma abertura do caminho a Paulo Portas. Ribeiro e Castro tem uma conjuntura difícil pela frente e a circunstância de não ser deputado também não o ajuda. Uma entrada em conflito directo e aberto com a bancada do seu partido ainda pode fragilizar mais a sua posição. Na hipótese do actual líder do PP entrar em ruptura com a bancada parlamentar, talvez envolvendo processos disciplinares, pode acontecer que os deputados passem a independentes, deixando Ribeiro e Castro ainda mais debilitado. O facto é que, no quadro dos estatutos do PP, os discursos contraditórios entre Ribeiro e Castro e a sua bancada parecem violar o que diz o artigo 56º dos estatutos sobre o grupo parlamentar do partido. O artigo refere que os deputados populares devem conformar as suas posições com a orientação fixada pelos órgãos deliberativos do partido e com as dirctivas emanadas da Comissão Política Nacional. Nos mesmos estatutos também se diz que, sem prejuízo da liberdade de opinião, os militantes devem defender a unidade e o fortalecimento do partido. Nos últimos meses, a guerra entre o grupo parlamentar do PP, constituído por deputados afectos à antiga direcção de Paulo Portas, e a liderança de Ribeiro e Castro, conquistada já depois das eleições legislativas de Fevereiro de 2005, tem tido vários episódios. Há dois meses, quando se assistia a um crescendo das dissonâncias em torno da candidatura presidencial de Cavaco, os dois sectores chegaram a entrar em conflito por causa de um projecto sobre investigação médica ao nível das células estaminais. A bancada defendeu o projecto e Ribeiro e Castro rejeitou-o, colocando-se à direita dos deputados. Aliás, Ribeiro e Castro, tem surpreendido pelo discurso radical em algumas matérias. O líder do CDS/PP considerou recentemente que "o terrorismo era filho da esquerda" e que Che Guevara foi um assassino.