renasci
Tal como à lebre segue o caçador,
Por montes e vales, ao frio e ao calor
E mal a vê presa mais não lhe liga,
Só o passo estuga desde que a persiga Ariosto, 'Orlando Furioso'
29 novembro, 2004
O Estado e a Nação
Durante o fim-de-semana, tivemos mais uma surpresa governamental. A demissão do Ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves. Parece que os problemas com este governo se sucedem. Entre escândalos, discursos pouco coerentes e alguma falta de senso político, assistimos a tudo.
Um primeiro-ministro que se nota nitidamente que não segura o seu próprio partido, que não consegue reagir racionalmente a críticas, que no fundo espera que todos o elogiem ainda não se sabe muito bem porquê. Pessoalmente tenho cada vez mais saudades do Dr. Durão Barroso fazem falta o pragmatismo, as ideias claras, o rumo concreto, a noção de liderança, a estabilidade. Tal como dizia hoje no seu comentário matinal no Rádio Clube Português, Nuno Rogeiro “este governo pode ser comparado a um barco em que metade rema para um lado e a outra metade para o outro, portanto não sai do mesmo sítio."
Notícias como as que saem hoje no “Público” que referem: , “Este é um Governo a quem ninguém deu quase o direito de existir antes dele nascer, e que, depois de nascer através de um parto difícil teve que ir para uma incubadora e vinham alguns irmãos mais velhos e davam-lhe uns estalos e uns pontapés" não abonam muito em favor da inteligência do sr. primeiro-ministro. Pergunto-me, o que é que S. Exc.ª esperava? Uma comissão de boas vindas por parte da oposição? Ainda que concorde que a comunicação social é tendencialmente de esquerda, e preferencialmente contra quem está no poder, pergunto-me não foi sempre assim? Façamos uma viagem na memória e procuremos pelos primeiros-ministros de direita, algum teve uma tarefa fácil? Que eu saiba foi Cavaco Silva que disse que não lia jornais, não me parece que tenha deixado de ir para a frente com a governação por causa disso. Sinceramente começo a achar que é melhor tirarem os jornais também a Santana Lopes, pode ser que ele se preocupe mais com as questões sérias do que em contabilizar quantas notícias positivas ou negativas saem sobre o governo.
Nesta imensa confusão, acho que era altura de ser o parceiro de coligação a tomar uma posição forte, porque se o partido maior se começa a arrastar no pântano, o parceiro mais pequeno não tem que ir atras. Sobretudo quando há uma tentativa declarada de o liquidar. Pois, porque não me tentem convencer que definir coligações, ou a falta delas, em vésperas das eleições numa altura em que já devem estar a ser preparadas as listas de deputados é uma situação aceitável. Não me parece razoável que o CDS possa ir sozinho a eleições defendendo basicamente o mesmo que o PSD, havendo uma tendência para uma bipolarização. No meio desta confusão resta-me a noção que por muitas asneiras que este executivo faça, tenho a certeza que não chega ao ponto do Guterrismo, e será sempre mais coerente que alguém diz querer ser diferente de uma política que executou enquanto teve responsabilidades executivas, e vocês sabem de que é que eu estou a falar.